Válvulas, Solid State ou Digital? - Por Eduardo Sterman
Distorção Harmônica

THD - Total Harmonic Distortion

Se olharmos para as especificações técnicas de qualquer equipamento de áudio, encontraremos um item chamado "THD", que indica a quantidade de distorção que aquele equipamento irá impor no sinal.

 

Quando falamos de distorção em um sinal de áudio, estamos

dizendo que novos sons estão sendo introduzidos por algum motivo.

A estes novos sons damos o nome de "harmônicos" e suas frequências estão diretamente relacionadas à freqüência fundamental, ou seja, ao som original.

As frequências dos harmônicos são sempre múltiplas da fundamental, ou seja, cada um corresponde à frequência fundamental, multiplicada "n" vezes.

Se analisarmos uma onda sonora pura, na freqüência 440Hz, os harmônicos dela teriam as seguintes frequências:

 
# Harmonico
fundamental
1
2
3
4
5
6
7
8
9

Frequência (Hz)

440
880
1320
1760
2200
2640
3080
3520
3960
4400
Multiplicação
_
x 2
x 3
x 4
x 5
x 6
x 7
x 8
x 9
x 10
 
Dependendo das características internas de um equipamento, sua distorção poderá ser agradável ou desagradável. Isto depende da relação entre os harmônicos novos e o conteúdo de frequências que já existia no sinal original.
 

Distorção assimétrica

Se a distorção apresentar apenas frequências de múltiplos pares (Freq. Fundamental x 2, x4, x6, x8), a sonoridade irá "combinar" com o som original, o que costuma soar bem para o ouvido humano.

Chamamos este tipo de distorção de assimétrica, e é a distorção que encontramos nos equipamentos exclusivamente valvulados.

Em contrapartida, esta distorção pode soar "embolada" se for aplicada a uma gravação com vários instrumentos tocando simultaneamente.

Distorção simétrica

Agora, se a distorção do equipamento contiver harmônicos de múltiplos ímpares (Fx3, Fx5, Fx7), a sonoridade não irá combinar tanto com o som original, dando uma característica "áspera", rasgada ou mais "nervosa" ao som.

Esta distorção é característica dos equipamentos que utilizam componentes mais modernos, como transistores, encontrados em todos os dispositivos hoje em dia, até no controle remoto do DVD.

Damos o nome de "Solid State" a essa tecnologia, que substituiu a antiga (mas querida) válvula.

Apesar de não ser tão "musical", há casos onde essa distorção pode ser útil. Um bom exemplo é quando temos um contra-baixo eletrônico muito abafado e precisamos dar mais "brilho" ao timbre. Se causarmos uma distorção no sinal, estaremos criando novos harmônicos, relacionados ao som original, o que dá a sensação de termos "voltado" um pouco dos agudos que foram perdidos na programação do sintetizador. Neste caso, vale à pena experimentar vários tipos de distorções para ter certeza que encontramos uma boa solução.

Pedaleiras de guitarra

As pedaleiras de distorção de guitar são um exemplo vivo de que uma distorção "braba" pode ser legal. Neste caso, a distorção é induzida aumentando o nível do sinal até ultrapassar o limite suportado pelo pedal, o que torna o efeito muito mais perceptível do que a THD, que costuma ser sutil e de preferência agradável.

Resumidamente, existem diversos pedais de distorção para guitarra e cada um tem uma característica própria. Uns resultam numa sonoridade de válvula, mais limpa e agradável, outros em distorções bem rasgadas. O importante é entendermos que a diferença está nos harmônicos que cada um irá introduzir no sinal, alterando o conteúdo de frequências original, consequentemente alterando o "tipo" de som que será ouvido.

 
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