Qual foi a sua intenção ao inscrever-se no curso de Produção Musical Eletrônica?
A tempos, venho estudando como autodidata sobre musica contemporânea, e suas vertentes. É um tema bastante complexo para um rapaz que veio do hardcore, mas em certo momento vi que eu tambem podia fazer do meu jeito, algo com o que estava aprendendo.
Foi apartir da improvisação que comecei a praticar, e na vertente Eletroacústica (a mãe da musica de pista) onde esse interesse prático também se desenvolveu.
Precisava de mais profundidade técnica, recebi um mail da 2600hz, e gostei da abordagem do Alemão. Me rendeu muitas descobertas.
A escola conseguiu ajudá-la a alcançar estes objetivos? Sim, diversas secções dos sintetizadores eram desconhecidas para mim. O conceito de modulação, a riqueza de timbres que se tira simplesmente dos osciladores, além das técnicas de edição no Cubase.
De fato, abriu horizontes.
Como você descreve sua evolução após este curso? Nossa metodologia de ensino conseguiu lhe proporcionar um aprendizado verdadeiro?
Não tenho o que reclamar. Mesmo eu sendo de uma outra praia sonora, as aulas tiveram um valor significativo para minhas experimentações.
Você é Músico ou Dj?
Músico
Se sim, você acha que o conhecimento de produção é importante para a sua carreira? Por quê?
Para mim, não há fronteiras no mundo das artes.
Antes de ser músico, penso em produzir arte, e a arte hoje não se limita a um mero objeto, mas sim a processos. Me sinto seguro para conceber todas as etapas na criação de uma peça, sem depender de terceiros que poderiam mexer na minha música sem eu nem saber o que estão fazendo. Trabalhar com música sem ter ao menos o conhecimento de como esses processos funcionam seria um pouco de descuido.
Afinal, também, não estou no main stream para ter um super produtor corrigindo meus erros.
Qual é o seu estilo musical e o que faz dele o seu favorito?
Não é tão simples para mim responder essa pergunta, eu sou antes de tudo um improvisador, amo a música improvisada.
Há muitos estilos dentro disso, musicas folclóricas, jazz, rock, e também a eletrônica. Na música improvisada as coisas acontecem no momento presente e os músicos correm risco o tempo todo.
O erro, é relativisado, ao ponto de se tornar uma ferramenta para levar o som para um novo lugar, que nem mesmo quem estava fazendo poderia prever. Esse terreno movediço me fascina.
Quais são suas maiores influências, alguma track que mudou a sua vida?
Cage e Stockhausen com certeza escancararam as portas da minha percepção do que pode vir a ser música.
Credo in Us de Cage foi uma peça que me deixou pasmo, e quando ouvi Mantra de Stochausen pela primeira vez, eu não intendi nada, mas aquilo me deixou muito curioso.
Conte um pouco sobre a sua experiência com produção musical.
Comecei montando algumas colagens para uma
banda que eu tinha na época, e que ainda existe, a "Cabeleira de Berenice" (www.myspace.com/cabeleiradeberenice), e também algumas brincadeiras no Fruityloops.
Meu interesse começou a se voltar para a edição de áudio, misturando samples criados e fragmentos de outras músicas, alguns efeitos, ou qualquer outra maneira de tentar gerar caos.
Mas em 2007, junto a Karen, formamos nosso duo de improvisação livre o Koll Witz (www.myspace.com/kollwitzka), cujas possibilidades sempre foram muito abertas e sempre procurávamos usar todos os recursos que tínhamos.
Com um trabalho que dá uma grande ênfase à organicidade da música, mesmo às vezes usando elementos eletrônicos, levamos os equipamentos ao extremo. O largo uso de captadores para produzir sons inusitados de coisas casuais, ou a transgreção do equipamento atravéz da técnica de feedback, ligando o input no output do mixer, gerando assim uma fonte sonora manipulavel.
Descreva, em poucas palavras, o que caracteriza o seu som.
Do sutil a explosão: inesperado.
Você acha importante a aplicação de um método para criar suas músicas?
Não
Das técnicas que você aprendeu no curso, qual foi a mais importante para encontrar o seu estilo de produção?
(em relação ao método) Nesse aspecto, minha música é bem diferente da música de pista. Hora uso muitos esquemas e estruturas, mas nada tem a ver com algo que faça as pessoas dançarem. Mas como também improviso, há momentos em que o nescessário é abolir qualquer método.
(em relação a esta pergunta) A edição de áudio é uma parte muito interessante, mas também gosto muito das tecnicas de modulação e criação de timbres nos sintetizadores!
Como você começa uma track?
Às vezes desenhando uma sequência de cores, climas, ou idéias que quero desenvolver em cada sessão. Às vezes, ligo a gravação e começo improvisando, para depois gravar outra camada e dali sair editando. Uma outra hipótese é imaginar os elementos musicais, gesto a gesto e começar a misturá-los a posteriori.
Se não está inspirado, mas tem tempo livre no estúdio, o que você faz?
Trabalho nos áudios crus pré-gravados, ou mexo em cima de algum velho bolero, até fazer ele não parecer mais um bolero.
Você já possuía algum conhecimento de música antes do curso de produção na 2600Hz? O conteúdo das aulas te ajudou na parte criativa?
Já, é claro que o conteúdo propõe novas a se misturar com a bagagem pessoal, a busca por conhecimento é infinita.
E quais são seus planos após concluir os estudos, pretende trabalhar profissionalmente com música ou áudio?
Sim, mas no momento estou à procura.
Conte para todos o que você achou deste período de aprendizado na 2600Hz!
Foi muito inspirador estar sempre fuçando no som, e ainda sob a orientação de uma pessoa que gosta do que faz, e não quer simplesmente ensinar a mexer botões. E é demais a parte de colocar a mão na massa, gostei muito do resultado final.
E uma dica do dia-a-dia para quem está começando no mundo da produção!
Nunca coloque a culpa no seu equipamento, você pode fazer muito com pouco recurso num computador.
E nunca substime uma ideia musical, ou uma fonte sonora, insistindo nela você chegar numa grande e boa track!
Muito obrigado pela participação!
Desejamos a você muita inspiração e sucesso em sua carreira como produtor musical. E que venha 2009!
Só mais uma pergunta antes da virada do ano: Valeu à pena escolher a 2600Hz como a sua escola de produção musical?